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Como a nostalgia têm aproximado crianças e adolescentes da literatura

  • Eduarda Lourenço
  • 18 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura


A nostalgia têm sido resgatada de forma frequente por empresas do ramo da mídia e do

consumo. É verdade que não há nada no mundo que se compare com a sensação de rever

elementos que fizeram parte da sua infância sendo comercializados e divulgados nas redes

sociais. Contudo, um fenômeno interessante têm se mostrado cada vez mais presente: crianças e adolescentes que se encantam com aparelhos analógicos e com gêneros literários do passado! Um desses exemplos, são as popularmente conhecidas fanfictions que traduzido ficaria algo como história de fã.


As fanfictions existem desde antes da era digital, surgindo durante os anos de 1900 a partir dos livros de Sherlock Holmes. Também se popularizou com a série de Star Trek nas décadas de 1960 e 1970. Entretanto, a explosão desse gênero literário aconteceu com a chegada da Internet, que conectou fãs de diferentes países que criaram, e criam até hoje, histórias em vários idiomas.


Aqui no Brasil, as fanfics (para encurtar o termo) são febre entre os adolescentes, atraindo também crianças que imaginam suas próprias narrativas com seus personagens favoritos! Existem até subgêneros dentro dessa literatura, sendo os mais populares as AU (Alternative Universe) que reimagina os personagens de uma história em um universo alternativo ao que eles pertencem e são muito conhecidas na rede social X (antigo Twitter); há também as Oneshot, fanfics que possuem um capítulo único que exploraram os personagens e sua narrativa de maneira rápida.


Existem estudos e pesquisas sobre como as fanfics podem ser usadas como uma ferramenta

pedagógica para aproximar crianças e adolescentes da literatura, melhorando seus hábitos de leitura.


Diante disso, traremos abaixo uma entrevista com a estudante Maria Catarina Aragão Costa, graduanda de Pedagogia pela UFRJ, cujo tema de monografia é: Redescobrindo a Leitura: Fanfiction como caminho de retorno à Literatura.


E: Primeiramente, seja bem-vinda Maria! Obrigada por conceder essa entrevista, é um prazer recebê-la! Mas, sem mais delongas, você pode falar um pouco sobre o tema da sua monografia?
Maria Catarina: Obrigada por essa recepção! Bom, minha pesquisa surgiu de um incômodo pessoal com a literatura clássica que foi obrigatória durante os Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Embora tenha sido uma criança chegada à leitura, esse período escolar junto a densidade e obrigatoriedade da leitura dos livros, tornou o ato prazeroso de ler em algo penoso e desgastante. Pouco tempo depois acabei encontrando por acidente sites de fanfictions e, inicialmente por curiosidade, decidi ler. Acabei não parando após isso, essa leitura abriu portas para que a literatura romântica e científica possuíssem espaço na minha vida.
E: Você conseguiu encontrar essa temática em outras nuances da universidade (extensão, eletivas, cursos, palestras e etc.)?
Maria Catarina: Estou no décimo período de Pedagogia e ouvi pela primeira vez sobre fanfics na faculdade, por meio de um panfleto no aulario (prédio do curso) sobre um projeto de extensão, esse foi o único encontro com essa temática que tive durante a universidade.
E: É fato que crianças e adolescentes possuem contato com diferentes tipos de literatura durante seu desenvolvimento. A fanfic poderia ter um lugar especial nisso tudo?
Maria Catarina: Com certeza! A possibilidade de re-imaginar uma história já contada, criar uma vida nova para personagens existentes ou até mesmo se inserir na história, cria um vínculo emocional do leitor com a trama. Especialmente adolescentes que muitas vezes precisam de um escape da realidade, e utilizam dessas histórias para encontrar um ambiente seguro para si.
E: Em uma era tão digital e com cada vez menos subjetividade, as fanfics são como um respiro nesse meio. Você acredita que isso pode causar um impacto nos leitores?
Maria Catarina: Acredito que todo gênero literário tenha sua função e as fanfictions não são diferentes. Mesmo que o gênero não tenha a credibilidade que merece, esse ajuda diversos leitores a voltarem para literatura, seja pela leitura leve ou pelo já conhecimento do personagem. Esse gênero possui muito potencial se crescimento com as futuras gerações, não à toa que muitas dessas fanfics estão se tornando livros publicados.

Meus agradecimentos pela disposição da estudante Maria Catarina Aragão Costa que me

concedeu essa entrevista, desejo sucesso em sua caminhada!


Quando trouxe aqui nesse artigo que as fanfics são objetos de estudo e pesquisa não foi

brincadeira não, hein! Na Universidade Federal Fluminense (UFF), existe um centro de pesquisa educacional voltado somente para essa temática: o Núcleo de Estudos e Pesquisa de Fãs e Fanfic.


Logo do NEPFF
Logo do NEPFF

É preciso valorizar o que os mais jovens têm a nos mostrar, pois é evidente que as fanfics vão além de somente histórias de fãs para fãs visto que conquistaram o mundo acadêmico e

tornaram-se uma ferramenta pedagógica de retorno à literatura para crianças e adolescentes.


Sobre a autora: Eduarda Lourenço tem 23 anos e é graduanda de Pedagogia pela

Universidade Federal do Rio de Janeiro. É apaixonada por moda, literatura e cinema!

Vivendo pelo sonho de ter sua própria biblioteca pública, tem buscado cada vez mais abrir

espaço nos meios de comunicação para falar sobre educação, sociedade e cultura.

Instagram: @folklemore_

 
 
 

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