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A importância do acolhimento e da escuta psicológica no contexto educacional de uma criança/adolescente

  • Foto do escritor: Luisa Garrido
    Luisa Garrido
  • 4 de set. de 2025
  • 3 min de leitura

Você já parou para pensar quanto tempo uma criança e um adolescente passam na escola?


Muitas vezes, é nesse ambiente que eles vivem boa parte dos seus dias, das suas trocas, dos seus silêncios e das suas descobertas. Eles vivenciam experiências que os transformam e os constroem. Por isso, a escola precisa ser mais do que um espaço de formação conteudista, deve ser também um lugar de acolhimento e afeto. É essencial estar atento não apenas ao que é dito, mas também ao que é sentido e vivido por cada um.

Uma forma de promover esse acolhimento afetivo a uma criança ou a um adolescente pode vir a partir da escuta, que antes de ser uma técnica, é um gesto que promove presença e confiança. Quando um indivíduo encontra um espaço onde pode ser ouvido de verdade, algo valioso acontece: ele passa a se sentir pertencente.

No contexto educacional, onde tantas histórias, emoções e desafios se entrelaçam todos os dias, o acolhimento psicológico pode ser um ponto de virada. Ele não tem a pretensão de "resolver" tudo, mas tem a potência de sustentar, dar nome aos sentimentos e abrir caminhos. É ali, no cotidiano da escola, que muitos jovens têm seu primeiro contato com a experiência de serem vistos e respeitados em sua subjetividade.

Falar sobre escuta e acolhimento é, portanto, falar sobre saúde mental, mas também sobre pertencimento, afeto e transformação. É reconhecer que, antes de aprender qualquer conteúdo, toda criança precisa sentir que está em um lugar onde é possível existir com dignidade.

Como podemos realizar o acolhimento a partir da escuta na prática escolar?

Escutar uma criança ou um adolescente vai muito além de simplesmente ouvir palavras. É um convite para compreender o seu ponto de vista, acolher seus sentimentos e respeitar o seu tempo. A escuta envolve a presença, a empatia e, principalmente, a suspensão de julgamentos, pois a combinação desses elementos promove um espaço onde o jovem se sinta seguro para se expressar sem medo.

No acolhimento, o psicólogo ou o profissional da educação que está diante dessa prática, não busca oferecer respostas imediatas, mas sim estar presente de forma sensível e respeitosa. Trata-se de reconhecer o valor do que é compartilhado e validar as emoções, mesmo aquelas que parecem difíceis de entender ou aceitar. Além disso, quando essa escuta é oferecida de forma genuína, ela também cumpre uma importante função psicoeducativa: auxilia crianças e adolescentes a identificarem e nomearem o que sentem, o que favorece a construção de diálogos mais saudáveis e a realização de intervenções mais conscientes ao longo do tempo.

Essa escuta afetuosa cria vínculos de confiança, fundamentais para que a criança ou o adolescente se sinta valorizado e compreendido. Ela funciona como um suporte para que possam se expressar com mais liberdade, elaborar suas vivências e encontrar caminhos próprios para lidar com os desafios que enfrentam em seu processo de crescimento.

Durante esse processo, também é essencial respeitar o tempo de cada um, pois nem sempre o processo de diálogo e escuta acontecerá de forma imediata ou direta. Às vezes, só o fato de estar disponível, sem cobranças, já abre um caminho para que o outro se sinta seguro o suficiente para falar quando estiver pronto.

O acolhimento, portanto, não precisa estar restrito a grandes momentos. Ele pode acontecer no corredor, no intervalo, durante uma roda de conversa ou até em pequenos gestos do cotidiano, como um “oi, tudo bem”, “bom dia”ou “boa tarde”. Essas falas de cumprimento, embora simples, podem ser significativas para quem as recebe. Cultivar uma cultura de escuta no ambiente escolar, na qual professores, equipe pedagógica e profissionais de apoio estejam atentos às experiências emocionais dos estudantes, é um passo importante para transformar a escola em um espaço de pertencimento, vínculo e cuidado.

Conclusão

Promover uma escuta genuína e um acolhimento sensível no ambiente escolar é investir no desenvolvimento integral de crianças e adolescentes. Mais do que intervir em momentos de crise, trata-se de cultivar uma cultura de cuidado, onde cada sujeito se sinta visto, ouvido, pertencente e respeitado em sua singularidade. Quando a escola reconhece que ensinar também é escutar, ela se transforma e transforma as vidas que por ela passam.

Referência Bibliográfica:

BONDIA, Jorge Larrosa. Notas sobre a experiência e o saber da experiência. Revista

Brasileira de Educação, n. 19, p. 20-28, 2002. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbedu/a/Ycc5QDzZKcYVspCNspZVDxC/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 18 jul. 2025.

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CODO, Wanderley. Educação: carinho e trabalho. Petrópolis: Vozes, 2002. Disponível em: https://sites.uel.br/prograd/wp-content/uploads/gepe/materiais/educacao_carinho_trabalho.pd f. Acesso em: 18 jul. 2025.

NOGUEIRA, Simone do Nascimento. Escuta pedagógica: uma possibilidade formativa de ressignificação da prática docente na educação infantil. 2021. Tese (Doutorado em Educação)

- Universidade Católica de Santos, Santos, 2021. Disponível em: https://tede.unisantos.br/bitstream/tede/7244/1/Simone%20do%20Nascimento%20Nogueira.

pdf. Acesso em: 19 jul. 2025.


 
 
 

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