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Negritude Positiva na Infância: Construção da Autoestima da Criança Negra

  • Letícia Secco
  • 25 de set. de 2025
  • 5 min de leitura

Ao olharmos para o universo da infância, percebemos situações pelas quais todas as crianças passarão em algum momento de seu crescimento, que abrange desde a queda do primeiro dentinho até o desenvolvimento da leitura. No entanto, essa pluralidade de experiências não se mantém quando falamos sobre a discriminação racial. 


Desde muito pequenas, crianças negras são confrontadas, infelizmente, com uma realidade triste e muito vívida no cenário brasileiro, que as coloca em situação de desvantagem ainda na primeira infância. O racismo ocupa diferentes espaços e afeta diversos corpos na nossa sociedade, e escolas primárias, assim como as próprias crianças, não estão fora dessa realidade.


É uma violência que, muitas vezes, se apresenta de forma velada, mas expõe diversas crianças negras a um ciclo que pode se estender por toda a vida, chegando até mesmo a ultrapassar gerações. 


Cicatrizes invisíveis: os efeitos da discriminação na autoestima 


Ao vivenciarem situações de racismo, seja contra si mesmas ou contra outras pessoas, as crianças podem sofrer desgaste físico e emocional, além de desenvolverem sentimentos de inferioridade que afetam tanto o desempenho escolar quanto a convivência social. 


Não é raro observar crianças rejeitando traços da própria negritude – como o formato do nariz, a boca, o cabelo, o tom de pele e outros aspectos de sua aparência – ao internalizarem padrões estéticos e culturais que as desvalorizam. O racismo, além de doloroso, é profundamente prejudicial e pode deixar marcas emocionais desde muito cedo.  


Por isso, é essencial que a criança cresça fortalecendo uma identidade racial positiva, tanto em relação a si quanto aos outros. A infância negra deve ser vivida com muito amor, orgulho e representatividade, para que cada criança reconheça seu valor e se sinta parte de sua cultura e comunidade. 




Representatividade negra: um pilar no desenvolvimento da criança


Ao olharmos para o universo da infância, percebemos situações pelas quais todas as crianças passarão em algum momento de seu crescimento, que abrange desde a queda do primeiro dentinho até o desenvolvimento da leitura. No entanto, essa pluralidade de experiências não se mantém quando falamos sobre a discriminação racial.

Desde muito pequenas, crianças negras são confrontadas, infelizmente, com uma realidade triste e muito vívida no cenário brasileiro, que as coloca em situação de desvantagem ainda na primeira infância. O racismo ocupa diferentes espaços e afeta diversos corpos na nossa sociedade, e escolas primárias, assim como as próprias crianças, não estão fora dessa realidade.

É uma violência que, muitas vezes, se apresenta de forma velada, mas expõe diversas crianças negras a um ciclo que pode se estender por toda a vida, chegando até mesmo a ultrapassar gerações.

Cicatrizes invisíveis: os efeitos da discriminação na autoestima

Ao vivenciarem situações de racismo, seja contra si mesmas ou contra outras pessoas, as crianças podem sofrer desgaste físico e emocional, além de desenvolverem sentimentos de inferioridade que afetam tanto o desempenho escolar quanto a convivência social.

Não é raro observar crianças rejeitando traços da própria negritude – como o formato do nariz, a boca, o cabelo, o tom de pele e outros aspectos de sua aparência – ao internalizar padrões estéticos e culturais que as desvalorizam. O racismo, além de doloroso, é profundamente prejudicial e pode deixar marcas emocionais desde muito cedo.

Por isso, é essencial que a criança cresça fortalecendo uma identidade racial positiva, tanto em relação a si quanto aos outros. A infância negra deve ser vivida com muito amor, orgulho e representatividade, para que cada criança reconheça seu valor e se sinta parte de sua cultura e comunidade.

Representatividade negra: um pilar no desenvolvimento da criança

A representatividade negra na infância apresenta-se como uma forma de ressignificar a imagem da população negra na sociedade. Ela busca garantir que essas pessoas sejam retratadas de maneira justa, que suas perspectivas sejam valorizadas e que estereótipos negativos e o racismo estrutural sejam combatidos, além de incentivar a ocupação cada vez maior de diferentes espaços. Apesar dos avanços, a sociedade ainda carrega fortes marcas do preconceito – influência direta da herança escravocrata em nosso país – que se reproduz, inclusive, no imaginário popular.

A psicanalista Elisama Santos destaca que, ao fazermos um simples exercício de imaginação sobre diferentes carreiras, tendemos a associar pessoas brancas a profissões de maior prestígio e reconhecimento, enquanto indivíduos negros são vinculados a funções de subordinação ou a estigmas relacionados à criminalidade.

Elisama reforça que é muito importante ensinar as crianças a perceber e valorizar as diferenças, ajudando-as a compreender que o mundo é diverso e cheio de cores, culturas e histórias. Quando essas diferenças são reconhecidas como algo bonito e positivo, as crianças aprendem a identificar situações em que estereótipos são reforçados e os preconceitos se manifestam. Assim, também entendem que não existe apenas um padrão de beleza ou inteligência a ser admirado, nem que apenas algumas pessoas têm o direito de alcançar objetivos e realizar sonhos.

A representatividade negra, especialmente na infância, é uma necessidade em nossa sociedade e pode ser fortalecida no cotidiano, seja no espaço escolar ou nos momentos de lazer das crianças. Isso significa valorizar a integração, o respeito à diversidade cultural e a construção de uma negritude positiva.

Reforços positivos em relação à própria imagem e à comunidade desde a primeira infância são fundamentais para o desenvolvimento da autoestima. Para isso, é indispensável promover o debate sobre o racismo e a opressão racial, que exercem profundo impacto na formação da identidade e da subjetividade, tanto de crianças negras quanto de não negras.

“Representatividade negra na infância é pensar na construção de um entendimento de mundo que precisa abarcar mais do que apenas a semelhança da criança com os outros. É fazê-la entender que ela também tem lugar na transformação do mundo”. – Dra. Karine Ramos

Autoestima da criança negra: fortalecendo a autoestima desde a infância

Além da importância das representações presentes em livros, brinquedos, desenhos, filmes e séries, que auxiliam nesse processo de inspiração para as crianças, o fortalecimento dessas afirmações positivas sobre a negritude dentro de casa é extremamente necessário. O lar é o primeiro espaço de acolhimento e, quando a criança sente esse suporte, ela cresce mais confiante para enfrentar os desafios que existem fora dele.

A autoconfiança vem da própria valorização do indivíduo. É muito importante que o amor e o incentivo à auto apreciação sejam sentidos e percebidos pela criança. Um simples elogio ao penteado feito no cabelo, à beleza de sua pele ou ao brilho de seu sorriso pode mudar completamente a maneira como ela se enxerga e se posiciona no mundo. Pequenos gestos diários, como escolher um livro com protagonistas negros ou assistir juntos a um desenho com diversidade de personagens, ajudam muito a reforçar a mensagem de que ela é importante e pertence a um espaço de dignidade e amor.

Essas palavras de afirmação são sempre muito bem-vindas. Elas trazem conforto, fortalecem vínculos e incentivam a criança a amar a si mesma, o que faz toda a diferença no crescimento e no florescimento de sua identidade.

“As crianças são o nosso futuro e a forma como as moldamos e orientamos afetará diretamente a forma do mundo nos anos que virão”. – Sir Lewis Hamilton





Referências bibliográficas:


ALBUQUERQUE, J. Racismo na educação infantil expõe crianças negras e ciclos de violências - AlmaPreta. Disponível em: <https://almapreta.com.br/almapretinha-conteudo/racismo-na-educacao-infantil-expoe-criancas-negras-a-ciclo-de-violencias/> Acesso em: 7 de setembro, 2025.


ARTMANN, M. S. Identidade racial: cinco formas de fortalecer a autoestima das crianças e promover a inclusão. Disponível em: <https://pastoraldacrianca.org.br/identidade-racial/identidade-racial-cinco-formas-de-fortalecer-a-autoestima-das-criancas-e-promover-a-inclusao> Acesso em: 7 de setembro, 2025.


Representatividade negra: entenda a importância na educação infantil. Disponível em: <https://modobrincar.rihappy.com.br/representatividade-negra/> Acesso em: 9 de setembro, 2025.


4 efeitos do racismo no cérebro e no corpo de crianças, segundo Harvard. BBC News Brasil. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/geral-55239798> Acesso em: 12 de setembro, 2025.


Lewis Hamilton fala sobre a luta contra o racismo e de sua ligação com o Brasil - Vermelho Especial. Disponível em: <https://vermelho.org.br/2021/11/19/lewis-hamilton-fala-sobre-a-luta-contra-o-racismo-e-de-sua-ligacao-com-o-brasil/> Acesso em: 12 de setembro, 2025.


BUCHMANN, D. Por que a família é tão importante para a autoestima de uma criança negra - Donna. Disponível em: <https://gauchazh.clicrbs.com.br/donna/noticia/2018/02/por-que-a-familia-e-tao-importante-para-a-autoestima-de-uma-crianca-negra-cjpiilfgg002eqpcndgmkxjv4.html> Acesso em: 14 de setembro, 2025. 


 
 
 

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